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O Dia - Cristiane Campos (28/01/2026)

Selic mantida em 15%: mercado imobiliário na expectativa de queda a partir de março

Bancos começam a se antecipar, reduzindo as suas tabelas de juros

A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central de manter a Selic (taxa básica de juros) em 15% ano já era esperada pelo mercado imobiliário. O setor, agora, aguarda com esperança uma possível queda, em março, sinalizada pelo Copom no comunicado divulgado hoje. Para saber como está o ânimo do segmento sobre esta expectativa de redução, a coluna ouviu alguns especialistas. Confira as opiniões:

"Os juros nesse patamar por tanto tempo têm afetado muito os custos de financiamento dos clientes e dos próprios empreendimentos. A sinalização de que estão em viés de queda seria muito importante para que os compradores voltem a ter um crédito mais justo e próximo das taxas históricas do mercado imobiliário", Leonardo Mesquita, presidente da Ademi-RJ (Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário).

"A notícia de que a Selic muito provavelmente iniciará o seu ciclo de redução a partir da reunião do Copom de março vai animar ainda mais o mercado imobiliário no Rio de Janeiro. Hoje, os 15% são muito elevados e poderemos fechar o ano com 12,25% que, embora seja uma taxa alta, é uma perspectiva de redução. Isso pode motivar que as pessoas tirem o dinheiro do banco, da renda fixa, e invistam em ativos reais. Certamente, vai animar as construtoras e motivar os compradores", Gilberto Braga, economista.

"O mercado está aguardando esse movimento há meses. Na última reunião do Copom, já houve um viés claro de baixa e a tendência é que essa redução se confirme agora e se prolongue ao longo de 2026. Mesmo antes da queda efetiva da Selic, os bancos começam a se posicionar. Como os financiamentos imobiliários são contratos de longo prazo, que chegam a 30 ou 35 anos, as instituições financeiras costumam se antecipar aos ciclos econômicos. Alguns bancos já começaram a reduzir suas tabelas de juros, justamente projetando esse novo cenário. Esse movimento tende a destravar uma demanda que vinha represada. Com mais compradores voltando ao mercado e uma oferta limitada de imóveis, os preços tendem a subir. E para quem já comprou o imóvel financiado em um período de juros elevados, existe a possibilidade de renegociar com o próprio banco ou transferir a dívida para outra instituição que ofereça taxas menores", Ramiro Delgado, especialista em investimento imobiliário.